Letras & Cia.

sábado, 2 de março de 2013

Passeando por Joyce [Puzzle]



Esta tarde fui conhecer a Ilha de Man, depois de saber que muitos do hóspedes da pensão da Senhora Mooney, filha do açougueiro, vinham de Lá. Desci num tal de Kingswood Grove, atraído pelo verde, e, pelo asfalto, fui seguindo ladeira abaixo, virando esquinas, enfrentando fluxos contrários, assim tateando em direção ao mar ali próximo pois, pela orientação da minha tela, sabia que estava ao leste. Menos de um minuto depois o avistei à frente: o mar azul, a la Lagoa da Conceição, por cima de um pequeno canteiro redondo e verde. Parei, contemplei. Depois girei para ver as fachadas dos prédios que, ali, pareciam claros, alegres e elegantes. Tive vontade de chegar mais perto do mar, olhar por sobre o guarda-corpo. Então atravessei a rua. Mas, nesse ponto, o brilho e o azul sumiam do céu. Chovia e tudo ficava escuro. Gelei. Não era um lugar de hóspedes tagarelas - talvez um lugar de artistas. Então voltei para os meus retângulos iluminados de sol, a poucos metros dali. A Ilha de Man é um lugar bonito!

This afternoon, I got to visit the Isle of Man, after learning that many of the butcher’s daughter’s, I mean, Mrs. Mooney’s boarding house guests came from there. I landed on this Kingswood Grove, since I was attracted by some green spots in the surroundings. Then I marched down, going around corners, facing on-coming traffic, kind of groping towards the nearer piece of sea, insofar as the position of my screen indicated that it should be to the east. In about a minute or so, I spotted it, right in front of me: the blue sea, a la Lagoa da Conceição, over some small round traffic island covered with green. I stopped and gazed. Soon, I turned to look at the façades of the buildings which, here, looked lighter, happier and elegant. I felt like getting closer to the sea and looking over the railing, so I walked ahead across the avenue. Suddenly, everything went gloomy; the blue and the brightness disappeared. It was cloudy and rainy. I froze. That was not a place for talkative guests – maybe a place for artistes. Then I quickly went back to my sunshine patch a few meters away. The Isle of Man is a beautiful place!



Emoções de um jovem diretor

O jovem diretor canadense Xavier Dolan ,aos 20 anos, escreveu, produziu, atuou e dirigiu este filme. Muito interessante, principalmente - na sua idade - sua percepção das comunicações para sempre precárias, das idiossincrasias, dos desencontros do amor sedento por um lar.

"Você é um peixe de águas profundas. Cego e luminoso. Nada em águas turbulentas com a raiva da era moderna, mas com a frágil poesia de um outro tempo. (...) Dez anos de silêncio. Dez segundos de ruído. Reconheço o absurdo da vida."



E aqui seu segundo filme, sobre amores e amigos:

Les amours imaginaires - Amores Imaginários



terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mais um.

Há filmes que têm essa força, de no último minuto - ou, no último meio minuto - mudar toda a tua perspectiva sobre ele, causando um efeito inesquecível de atraente surpresa. Lembra-se de "Os outros" e "O sexto sentido", só para dar alguns exemplos clássicos e populares?
Então, vai aqui mais uma sugestão, oriundo da arrebatadora cinemateca argentina.

Plan B


domingo, 28 de outubro de 2012

Os filmes que você não veria ou não deveria ver (2)

Não acredito que um viés religioso seja o (mais) apropriado para discutir a sexualidade e as liberdades civis. Mas a regilião - não somente ela - está diretamente relacionada com a construção e manutenção do preconceito e da homofobia. Assim também - como mostra o documentário que lhes indico - a própria religião pode propor o contrário, a desconstrução do arcabouço que propaga o preconceito que é fatal para tantas pessoas, ainda agora em 2012, quando ainda pipocam episódios de violência contra os LGBT em muitos lugares, como esta semana em Belo Horizonte.



Como diz a Bíblia - For the Bible Tells Me So (2007)

Partes: 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11

Aviso Padrão:

Resolvi, depois de assistir a este(s) filme(s), encaminhá-lo(s) a você. A razão é simples. Se eu não o fizesse, provavelmente você jamais o(s) veria, se você:

- Achar que jamais deve ver este filme. Que absurdo!  – é a razão principal porque você deveria vê-lo.

- Achar que (o tema ou a história) não tem nada a ver com você, sua família, seus amigos ou seu círculo social – pois bem, se trata quase sempre disso; afinal, a distância aumenta o preconceito.

-Achar que o filme é direcionado a um grupo específico – lhe garanto que sempre existem elementos universais, por exemplo, a alegria, a dor, o sonho, a luta e o amor, sendo o amor o mais universal de todos.

- Achar que isso é doutrinação, como diria Serra, Bolsonaro e Malafaia – só assistindo para ver em que isso vai lhe transformar.

- Achar que jamais iria a uma locadora para alugar esse filme “nada a ver” – imagina o que os outros pensariam de você - ou jamais teria o interesse de esperar até a madrugada para assistir-lhe no canal CULT da TV a Cabo.

- Achar que essa indicação é muito anormal, diferente de todas as outras recomendações que aparecem por aqui – assista a todas as indicações até perder esse sentimento de “anormalidade” e deixar passar despercebida a próxima indicação, como as outras que aparecem por aqui.

- Ficar chateado ou irritado com este post como se eu o tivesse obrigando a fazer algo que não quer – Não neste caso, talvez seja mesmo necessário você não assistir ao filme e se certificar de que ninguém pode ou deve ter o controle sobre sua vontade e que é livre para fazer o que quer, inclusive gostar ou amar.

sábado, 20 de outubro de 2012

Os filmes que você não veria ou não deveria ver (1)



Just a Question of Love (Apenas uma Questão de Amor)

Aviso Padrão:

Resolvi, depois de assistir a este(s) filme(s), encaminhá-lo(s) a você. A razão é simples. Se eu não o fizesse, provavelmente você jamais o(s) veria, se você:

- Achar que jamais deve ver este filme. Que absurdo!  – é a razão principal porque você deveria vê-lo.

- Achar que (o tema ou a história) não tem nada a ver com você, sua família, seus amigos ou seu círculo social – pois bem, se trata quase sempre disso; afinal, a distância aumenta o preconceito.

-Achar que o filme é direcionado a um grupo específico – lhe garanto que sempre existem elementos universais, por exemplo, a alegria, a dor, o sonho, a luta e o amor, sendo o amor o mais universal de todos.

- Achar que isso é doutrinação, como diria Serra, Bolsonaro e Malafaia – só assistindo para ver em que isso vai lhe transformar.

- Achar que jamais iria a uma locadora para alugar esse filme “nada a ver” – imagina o que os outros pensariam de você - ou jamais teria o interesse de esperar até a madrugada para assistir-lhe no canal CULT da TV a Cabo.

- Achar que essa indicação é muito anormal, diferente de todas as outras recomendações que aparecem por aqui – assista a todas as indicações até perder esse sentimento de “anormalidade” e deixar passar despercebida a próxima indicação, como as outras que aparecem por aqui.

- Ficar chateado ou irritado com este post como se eu o tivesse obrigando a fazer algo que não quer – Não neste caso, talvez seja mesmo necessário você não assistir ao filme e se certificar de que ninguém pode ou deve ter o controle sobre sua vontade e que é livre para fazer o que quer, inclusive gostar ou amar.


sábado, 1 de setembro de 2012

As coisas vão mal, sepultureiro.



As coisas vão mal, sepultureiro.
Ouvi dizer de seu mal
Já não consegue andar com levezas
Nem dançar ao tom do samba
Passa tempos a neurotizar
Esqueceu-se da temperatura da bebida
e da secura do sertão-mar.

As coisas vão mal, sepultureiro.
Senti a feição dos ventos
Que sopram tépidos do norte.
Notei a espuma das águas,
Que já foram mais cristais.

As coisas vão mal, sepultureiro.
Achei que já tinha se desvencilhado dos gritos do poder
Que sua humildade fosse mais blazé
Que nossa ponte já tivesse sido molhada
Pelas enchentes do meu rio.

As coisas vão mal, sepultureiro.
Fui avisado que estás querendo provar
Com sinos e sinete 
O tamanho da sua propriedade
A certeza da sua verdade
Deram-me contas de que até mesmo anda cego
de não ver nem de perto bandeiras brancas
nem de ler convites para sarau amigo
e a tal ponto de ter veneno bebido.

As coisas vão mal, sepultureiro.
tropeçou no velho bastão
que mandara reabilitar
E ainda tenta restabelecer postura
E colecionar manchetes de jornal.

As coisas vão mal, sepultureiro.
Assustou-se com o vazio
E pendurou na fachada uma grande bandeira de seu time
Que tremula como a voz da sua morte
Pra cujo espanto passou a gritar cada vez mais alto.

As coisas vão mesmo muito mal, sepultureiro.
desde que sepultou aquele sonho de felicidade
para abraçar todo o povo da cidade.

Luc Antunes
(sobre eventos destes tempos)

Sob a influência de Camenéres e Christina Aguilera em "You lost me"


"Terminei. A fumaça ainda sai do cano..."

COME



No words
Are words
As well
Undone
I’m done
So come 
With me
Whenever
And ever
We can 
Have heaven
To share
Words
And love
I’ll give you
In action.

by Luc


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

JOGO LIMPO


Faz um gol e puxa o fio
Pra cutucar outro covil
Pois se fera fura gol
A outra fera se danou.
Nesse jogo emaranhado
De fio longo e esticado,
Não se sabe onde amarrado,
O bom esporte é celebrado.
Mas há fiel tão enganado
Que puxa fio mais alongado
Bem cortante e afiado
Mal sabido a que atado
Cutucando de mansinho
Em brincadeira de santinho
Que faz rir e não faz mal
A paciência do rival,
Que quando entra no jogo
Está puxando um fio igual.
Mas onde estará a ponta
De fio tão agitado
Que levanta um poeirão
Sem nem mesmo tocar o chão
Desfiando preconceito
Criando lista de defeito
Em quem por opção
Se encontrou na oposição?
Nesse mundo aloprado
Os rebaixos mais lembrados
São ‘mulheres’ e ‘viados’
(Mesmo pelos afetados)
Mas, pelo bem da humanidade
Se alimenta essa vontade;
Uma certa rivalidade
Serve à contabilidade;
Ao fim não interessa o meio
E o belo depende do feio,
Pois até mesmo um bom amigo
Ignorando sutil perigo
Se deu a provocar
Quem estava noutro lugar:
Lugar que não o seu.
Talvez ainda não descobriu
Onde amarrado está seu fio
Aquele lugar exato
Onde o nó está de fato.


* * *

Pequena mágoa escondida
Pode ainda descobrir-se
Bem maior que toda a vida.
E não há boa maquiagem
Coisa séria ou bobagem
Pra bastante camuflagem.


O meu espírito esportivo
Já decaído do Olimpo
Prefere mesmo é jogo limpo.


Luc Antunes



quinta-feira, 26 de julho de 2012

Estricnina


Enquanto não durmo,
já passado o tempo,
Aqui parado tento
diverso sentimento.

Mas com Nina fico
e sua voz de pranto
em um triste (en)canto
sobre estrelas nuas.


Então, como sempre,
recorro a mais um poema
p'ra executar dura pena:
afugentar borboletas
que cobrem entranhas.

E o meu véu, leitor,
quando o descerras,
culpas escapam,
medos soterras.

Há quietos dias de dor
'pós noites de jogatina,
postas todas as fichas,
o néctar de Dionísio
amanhece estricnina.

Entretanto, história  não conto em um caminho tão reto;
d
o
b
r
o
e procuro o concreto.

Pois há vários caminhos
caminhos simples 
e curtos,
caminhos deveras delongados
t o r 
        t o s
mas, de fato, não há caminho de volta
pois ohnimac nunca é mesmo caminho.

Mas se tens interesse sobre outra história que remonto,
segue este estranho caminho com o meu relatar do conto
Saibamos: é preciso ir muito além do ponto.

Se o jantar é exagerado em doce.
O café da manhã é amargo.

Na noite madrugada de ontem
Fui ao supermercado da sorte
com os amigos da alegria
mas depois de já ter comprado
um pouco mais do que queria
a sacola sem fundo da tentação
ainda balançava vazia.

Desejo não tem fundo,
é do tamanho do mundo.

Então já no fim da feira
me dirigi de vã maneira
ao mais louco dos mercados
de sentimentos sortidos
rótulos amolecidos
e produtos desencontrados.

Na hora derradeira e final
os orgulhos, ou já foram feridos
ou, por desespero, desinflados.
Com espíritos etilizados,
Desprovidos de razão:
é hora de liquidação!

Mas, não se iludam mortais.
Mesmo em liquidação,
o processo é de leilão.
Leva quem dá mais.

Fui pois descobrir quanto valho
aos olhos de um mercenário
(até então sendo, como mim, gente)
E tentei comprar um beijo
sem muito negociar
só mostrando o meu apreço
e o meu corpo de endereço.

Belas palavras abordam a alma,
Mas verbo se faz carne
com corpo de carne e osso
em física proximidade.

Bem, o jovem assegurado,
Não me vendeu o pedido,
Mas sim o aprendido,
que agora com ti divido.
Eu era o comprador
mais foi ele quem pagou.

Pagou com a sua juventude
o velho descalabro meu.
Sobre a oferta que lhe pus
Me puxou com um abraço
e pediu para me olhar sob a luz.
Então meneou a cabeça
em deboche ensaiado
me rendendo abandonado
e foi se embora bem vingado.

Vingou-se de algo ou de alguém incerto,
que não eu mesmo, ou meu desejo, por certo.

Por vezes, quando confronto o mundo
ao qual dispenso amor e doçura 
mas que às vezes me devolve agrura
Dispo-me de pele grossa e mergulho.
Vou em busca da minha criança.

Ela me estende braços fortes
E me conforta com olhar sincero
Ensina-me a amar o mundo
Com a altivez dos sonhos irrestritos
E o destemor de cada encontro,
mas sobretudo a sorrir para a vida
com o calor e a generosidade
de um coração em tenra idade,
ainda ingênuo e pouco magoado,
leve, descontraído e encorajado.

“Alguns são felizes enquanto jovens,
Antes do mundo fazer seu serviço sujo.”

Nina Simone* & Luc Antunes

*Letra por Janis Ian 



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Writing WITH English


I never know how to write in English
Probably because I was never born English
Nor have I yet been reborn in English;
But, on the way, I've got some English;
Some with which I can randomly play
And even write with if she will let me.

Still, she is much smarter than me
And though I try she won't let me be
the one in control or who will oversee
the roll of words which will spring free.

As we read this, isn't it easy to see?
I choose the words but she issues a decree
And my poor wit can't (afford to) set me free*;
Only gives me three, including coffee and a spelling bee;
As the world of English looms up to such a high degree
and like a proud cock-after-a-pea
both enchants and humiliates me.

Luc Antunes

*originally =>  can't grant me liberty

domingo, 1 de julho de 2012

O homem que sabia cozinhar


 Luc Antunes

Iii, só tem um resto de lombo – reclamou Ivan, agachado em frente à geladeira escancarada que mostrava sua profundidade pálida quase completamente vazia. Mas com isso, inaugurou a grande história do amigo Simão que pediu para revistar a geladeira e, juntando miúdos, criou um apetitoso e sofisticado prato principal para aquela tarde de domingo no sítio, depois do passeio da galera à cachoeira. Além da surpresa boa que se opôs à incredulidade inicial com a falta de comida em fim de feriado prolongado, juntaram-se essas tais de “fome e vontade de comer”. E foi um sucesso só: pança virando rainha e Simão virando rei – com coroa de gourmet!

A mágica jesuscrística – aquela, da água em vinho – do Simão, que transformava sobras em preciosidades gastronômicas de aguar bocas e estalar beiços em amigos e anfitriões com despensas pouco promissoras, logo se espalhou através das intercessões sociais do jovem cozinheiro. Em poucos anos, as turminhas de cada ocasião social já vadiavam tagarelas e esperançosas ao redor das cozinhas e balcões onde Simão fazia suas alquimias de gourmet. Volta e meia, regado com cerveja, vinho e outros aperitivos, o papo se auto-alimentava tentando adivinhar que fabulosa gostosura emanaria dos ingredientes mais estéreis e improváveis encontrados na cozinha. Porque o Simão  –  nos encontros, farrinhas e aglomerações noturnas inesperadas em casas alheias – sempre colocava em cena uma Festa de Babette.

Mas assim como o (anjo insatisfeito que virou) diabo atenta o mundo divino mesmo já tendo sido expulso, os incomodados não é sempre que se retiram. Além disso, o incômodo, muitas vezes, era só uma coceirinha de nada que, no fim, virou úlcera de tanto ser cutucada.

Pois o Romualdo, após torrar o cobre na reforma de sua cobertura, cuja inauguração ia ser o mote de uma reuniãozinha social, ficou sabendo da fama do Simão na conversa com três amigos em comum. Viu a solução para o seu aperto e mandou que convidassem o Chef temporão. Na ocasião, para se desculpar com certo estilo, enquanto seus amigos babavam ovo para Simão e seus dotes culinários a la Harry Potter, o anfitrião bancou o sonso. Chegou a contar que tinha esvaziado a geladeira só para ver se Simão iria conseguir preparar um prato de verdade:  – Só quero ver se o cara é bom mesmo!

Chegada a hora, Simão adentrou a cozinha modernete, já ocupada por uma plateia munindo copos de cerveja, e  fuçou a enorme geladeira high-tech.  Encontrou um pacote de pão de forma, meia dúzia de laranjas, uma garrafa de vinagre, um potinho de tempero alho e sal, uma vasilha com feijão preto,  uma garrafa com soro fisiológico e um tubinho de cola Superbonder.  Levantou-se, virou-se para o dono da casa e abriu um grande sorriso, um tanto enigmático, que foi definhando para um final bem amarelo e irritado.

Romualdo, homem de fé escondida, lá da porta, soltou em voz alta e firme:  – E aí Simão, só quero ver se você sabe cozinhar mesmo igual essa turma 'tá falando...

Simão respondeu  – Cozinhar, eu sei!




terça-feira, 5 de junho de 2012

The Invention of Homosexuality


Who flung the arrow?
The most lacerating arrow?
Who hurled the stinging spear?
Who bore all that hate
In a heart so bitterly hurt
an mind so selfishly witted?
Which King of Destruction
felt so utterly threatened?


And the seed he planted
sprouted so full of hatred,
sly and full of feigned elegance,
as sneaky as winter shadows.


And he made love sound like hate
and a hug feel like an assault
and a kiss taste like gall
and each warm sigh, 
a terrifying shriek.


So the years passed by
in societies so blind
desperate for life
life made of blood
blood made of food
food made of money
money made of power
power made of nothing
but as inevitably vain
and stupidly blind as power.


And the vengeful devil's words 
- devils usually being a bunch of bourgeois-
petrified and crystallized
to shine atop the highest mountains
swollen with envy and hypocrisy
and filled with hot rivers of desire.


And out of the major book of words 
sprang the ideal and macho man
so virile, attractive and palatable
that he could never let go of his invisible mirror
to check and make sure of every trait
that made him a manly prince
feeding, greedily though subtly,
on acceptance and admiration.


In search of further love and approval,
The male icon became so modest,
 - as  falsely modest as it can be –
that he could even enjoy heavy metal,
or be a lover of piercing,
or kiss his football peer upon scoring a goal,
or dress as cool as a history student,
or enjoy grunge music,
or be a nice poet,
or a respected scholar,
or love the poor and the sick,
or help the endangered species,
or become a pop scientist,
or learn the secrets of wine,
or fight for the oppressed people in Asia or Africa,
or become a Hollywood star,
or be the smartest humorist on TV,
and be as bold as they can be
and so proudly challenge what is damn politically correct 
and sound as cool as it can be,
or endure the scorching heat of the desert,
or climb the most freezing mountains,
and try the most extreme sports,
and show how rugged they can be
and how strong a punch they can blow,
and how much they can take...


But that fucking lacerating arrow -
so transversely anchored
and still so stealthily polished
and licked by the bunch of mirror lovers
and their children and children's children
so slickly fed -


Well, that stinging spear
that traverses their brains
can let them take as much as they can
as strong and as rugged as a macho can take it
except, 
don't mention it,
except,
hey, no, don't say it,
except, 
some love up theirs.


Tell me about a more relentless interdiction!
And who flung that loathsome arrow in the first place,
so cosmically insignificant and stupid,
and yet so humanly excruciating as this?
by Luc



quinta-feira, 5 de abril de 2012

Na Estrada para as Terras do Coração (Que Viagem!)

Sobre duas músicas da cantora Florence (and the Machine)

(For an English version of this video and post, click here.)

Aconteceu algumas vezes comigo. É difícil de escrever sobre isso, mas descreveria assim: esses momentos epifânios quando os átomos, as moléculas, as células em mim, em perfeita união e sintonia, me fizeram sentir como um poderosa máquina sensual e sensorial, transformando momentos aparentemente corriqueiros em experiências transcendentais, se é que podem ser nomeadas. É como se a Divindade Cósmica, incapaz de saborear sua própria existência, acabasse nos criando, seres vivos, na esperança de, em um desses momentos raros, poder senti-la indiretamente ou empaticamente, através de nós, de nossos sentidos.  Nessas ocasiões, uma poderosa conexão entre criador e criatura, de milagrosa unidade, de existência e consciência, é realizada e revelada. Tornamo-nos um canal para Deus reconhecer a si próprio enquanto nós mesmos também reconhecemos a beleza e a força pulsante da criação. Deus e Nós – a Criação e Nós – abraçados, olhando nos olhos um do outro, respirando a respiração um do outro, a alma, plenamente conscientes, um.

O que é necessário para isso? Nenhum delírio ou droga, com certeza. Esses podem apenas produzir eventos falso porque embora nos ajudem a perder nossas “amarras” também nos fazem perder a consciência. Acho que é necessário amor e paixão pela vida, sensibilidade (que pode ser exercitada e ampliada), empatia, abertura, altruísmo/despojamento e solidão – nem sempre contudo. Já fui capaz de ter aquela poderosa sensação na companhia de amigos, no meio de uma multidão, ao ver o sorriso no rosto de alguém ou situação parecida. Mas a solidão é essencial, pois geralmente a sociedade nos distrai com os objetos (de foco e desejo) de ideologias calculistas, coisas bobas e trivialidades. Boa música ajuda também, maravilhosamente.

Então, é por isso que eu fiz este vídeo. Você pode simplesmente sentir-se tonto ao assisti-lo, mas aconteceu lá naquele momento, enquanto eu estava viajando para o sertão (“terras no coração do Brasil”) onde fica minha cidade natal. [O sertão foi descrito e universalizado de forma sublime por João Guimarães Rosa na obra: Grande Sertão: Veredas. Somos todos sertanejos já que “o sertão está em toda parte”. Assista a este outro vídeo-conto que também fiz.] A viagem de Belo Horizonte, onde moro, até Espinosa leva aproximadamente 12 horas de ônibus. O ônibus sai às 19:30 e na manhã seguinte está cruzando a paisagem do sertão.

Confesso que a música “Set Fire to the Rain” na voz poderosa da cantora Adele, estava tocando nos meus fones de ouvido em constante modo de repetição naquela manhã. (Obrigado, Adele). No entanto, devido à falta de um bom programa editor de vídeos, perdi a oportunidade de montar um vídeo na hora certa.

Mas um dia aconteceu de novo: enquanto eu ouvia a música de Florence – em particular essas duas canções do vídeo – fui poderosamente arremessado de volta àquele momento no tempo. É incrível que, embora eu não consiga entender parte do significado das letras da Florence, tudo mais, a melodia, sua voz, sua expressão, superam esse bloqueio e falam direto ao meu coração e à minha alma – à minha mente divina. Ela canta sobre coisas indescritíveis, palavras que nos faltam ou falham, momentos de introspecção, quietude e abençoada solidão.

Espero que este vídeo não seja bloqueado por causa de direitos autorais e que seja para a esplêndida cantora Florence um gesto de gratidão e admiração pelo seu trabalho divino que me tocou tão profundamente e de forma magnífica.

E, se você tiver vontade de produzir e postar um vídeo resposta com suas próprias viagens em suas próprias estradas do coração com música que o/a ajudou a se emocionar e elevar-se, eu ficaria muito feliz.

Luc

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Feli...e o amor.



Do profundo desejo nasce a esperança,
Mas o amor mesmo, este vem a esmo;
Se Vontade besta, esta vem e passa;
Amor líquido transborda e perpassa.
Mas ainda não era amor, nem esperança.


Era vontade, tola, bêbada e besta,
amigada com noite de piscas e batucada,
Em poleiro de patos d-duck dançantes,
Onde para se divertir se sobe as escadas,
Diferente da Maria que as desce pro inferno.
Mas, em qualquer lugar, é na saída que se paga. 


Por isso se evita deixar pra amanhã
todo o prazer que hoje possa haver;
Enquanto eu, bobo da corte do sono,
sonho com o prazer que desejo ter.


Mas ninguém ainda me contou de verdade
se o amor nasce em sonho ou na realidade,
Se nasce na hora ou espera uns meses
Ou nasce sem saber de alcançar maturidade.


Mas ainda não era amor, nem tampouco sonho ou semente
que a gente planta inconsciente(mente) dentro da gente.
Era um sorriso bonito, um olhar rápido mas entorpecente
No fim do túnel da volta pra casa, pra prolongada noite.


Porque noites perdidas são salvas
por lembranças, música e coisas;
teclados e telas debruçadas sobre o mundo
onde te vi e posso te rever, de novo.


HIATO
Quando não preciso do escuro, 
aperto o interruptor ou, na falta,
acendo uma vela, ou ainda,
fecho os olhos e durmo,
e sonho com Feli... cidade.
Não são lindas as primeiras luzes da manhã?
E as frescas lembranças dos beijos angelicais?


Recentemente, andei olhando fotos (insólitas) de um novo amigo;
amigo ainda não nascido, mas já plantado. 
Aí, pensei no amor.
Antes, ainda, não era amor. Mas agora, esperança já é.
E felicidade.


Luc Antunes
Em 23/02/2012, sobre eventos recentes

sábado, 21 de janeiro de 2012

A Ilha (contra o Dragão Inflável)

Fiquei um tempo resistente e acanhado mas, agora, acho que a gente não precisa mostrar só fortaleza ou alegria. A vida é assim, essa revolução, que de vez em quando se assenta.

Jacó luta com o anjo

A Ilha (contra o Dragão Inflável)

Da série: De carne e osso no caleidoscópio humano
Conto de imitação a diário de anotações, 19 de Julho de 2010

Uma vez quis ser o maior de todos,
ecoando uma Cat Power camarada,
Mas ontem só quis ser um bom,
bom sendo o melhor possível.

Quando ele passou, o abordei,
montado em um cavalo ligeiro
que passa somente uma vez,
que com a ajuda de Jorge montei
e o susto dum coração acelerado.

Meu braço navegou pelas costas
o estrangeiro;
com firme leveza alcancei a lombar
em intensidade de fugaz equilíbrio;
Ele sorriu e se conchegou
em proximidade irresistível e tênue:
lua no lago, grande leão.

Enquanto folheava minhas páginas
pelas melhores palavras,
fingi , talvez pra mim mesmo,
ser guerreiro valente
conquistador do mundo meu
em longa noite de minutos segundos
(que agora d'escrevo)

Palavras certas tentei
nos momentos mais resistentes,
Pois tolos acreditam em mágica.
[Empreendedores em matemática.]

Ele sorria e respondia com disposição
em meio a charmes e simpatia:
psicodélica fantasia.
Em certo momento cheguei a sentir meu corpo
selado ao seu pela lateral esquerda.

Ele falava línguas, pelo menos três das mais belas;
eu soava um dialeto 
com disfarçado esforço 
e a coragem tremida de um cavaleiro
em armadura de elementar autoestima
construída em análises e debates íntimos, 
com livros e solidão, 
pela vasta cidade 
por piedosos espelhos
de dias felizes e belos.

Apesar da voz abafada
da música alta, desengonçada, 
antecipei certo amor, 
sentido, semente, centelha,
no escuro do fundo,
no âmago do lastro,
por trás da estrutura,
mirando a superfície,
ensaiando realidades,
e alimentando coragens.

Na dúvida,
Eu já estava ganhando o jogo que não jogava;
excitação zunindo nos nervos,
sangue preenchendo espaços,
enrijecendo músculos,
estreitando distâncias,
preenchendo poéticas cavidades;
momentos  poderosos se aproximando,
consumação,  encontro verdadeiro,
terremoto, mergulho, entremeio,
o melhor de mim, o que podia dar...

Não deu.

De repente se foi.

Incólume pela mágica falha
de palavras mal combinadas, 
involuntariamente precipitadas,
fatalmente atropeladas... 

Não se pesa medo vencido
em terrível batalha
ou amor escondido
Bem enterrado se deixa
o não revelado
doce mistério e  belo, 
zelo, 
amor-felicidade 
(in)concreta possibilidade.

Foi-se
com a mesma velocidade
do calavo que montei, 
que já está passado;
foi-se com um outro,
um amigo, talvez, um melhor:
cria da circunstância,
juíza de procedimento,
que nega até entendimento
pois insípida e cruel
cega a bravura
e frustra esperanças.

Mas produz poesia!

E admoestação:
Levanta-te e anda;
Batalha perdida não é vida vencida.

Desarmado,  deixei-o ir
como o rio que corre 
livre como e para o mar, 
homens e pássaros 
e seus cantos
que não consigo imitar.

Bom de cantar ou bom cantor
Quase nunca sou
Mas sou ilha en-canta-da.
Da praia de onde, volta e meia,
de meu José sinto falta,
nesse arquipélago sem fim 
de corações em eterno desejo
ensaiando cegueiras
ao arrematar sonhos
e  pulverizar pontes.

Em nova fortaleza,
fica amor protegido,
em muros mais altos
que “tripla cerca de espinhos”;
aprende  línguas novas e amargas 
que, por felicidade inventada,
com altivez anuncia:
Levanta-te e anda,
A fila anda...
Anda, longamente;
tão infinitamente longa
até perder de vista...

Mas, porém, contudo, todavia, 
ainda trocaria toda a poesia,
minhas palavras e meu desejo,
por um beijo
teu;
você desarmado, corajoso
e verdadeiro.

Luc 19/07/2010